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Inaugurada a 09 de Abril de 2016 a sede localizada na rua Álvares Cabral, é propriedade imobiliária da Ordem dos Arquitectos, vêm constituir um Centro de Arquitectura, Criatividade e Sustentabilidade, substituindo a antiga sede, situada na rua D. Hugo. O novo edifício, com uma área total de 2000 m2, resulta de uma aglutinação, em função do estado de conservação das edificações, onde foram estabelecidos três princípios de intervenção distintos: um deles foi restaurado/conservado, o outro reabilitado, e um terceiro construído de raiz, totalmente eficientes em termos energéticos. O processo de aquisição deu-se em 2002 e a obra, que se iniciou em 2014, está concluída após um longo processo que agora termina. Para além de um espaço destinado aos arquitectos e aos funcionários da instituição, a nova sede apresenta-se também como um centro multifacetado, que se caracteriza pela implementação de salas de formação, galeria de exposição, livraria, centro de documentação/biblioteca, ponto de informação para turismo arquitectónico e para encontro de associações socioculturais. Este espaço é dirigido, também, a profissionais dos sectores da construção e das indústrias criativas, equipas autárquicas e todos aqueles que estejam interessados nestas temáticas.
Secção Regional do Norte da Associação dos Arquitectos, Rua da Restauração
Durante longos anos, sede do Sindicato e depois Secção Regional do Norte da Associação dos Arquitectos, o espaço da Rua da Restauração, após a mudança para D. Hugo, foi sendo pouco utilizado. Após 10 anos de utilização pouco frequente, o espaço foi reorganizado por forma a funcionar como área de formação, permitindo uma programação continuada e eficaz na realização de acções de formação. Para além do arquivo este espaço serviu também para outras utilizações pontuais.
Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, Rua D. Hugo
Inaugurada em 1 de Julho de 1993, Dia Mundial da Arquitectura, a Sede da Rua D. Hugo foi o resultado de um longo e cuidado processo de obtenção de sede própria para a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos. O edifício da Sé(de) que abriga vestígios arqueológicos da fundação da cidade do Porto foi, em 1994, distinguido com o Prémio João de Almada. A transformação da então Associação dos Arquitectos em Ordem Profissional marcou um crescimento significativo das suas responsabilidades e, também, da sua dimensão. O espaço da Rua D. Hugo tem-se revelado exíguo para as novas solicitações e pelo significativo interesse dos arquitectos nas questões relacionadas com a sua prática profissional. Hoje, nas instalações de Álvares Cabral, não apaga a memória e a estima que os arquitectos têm pela sua Sé(de) da rua D. Hugo.
planta piso 2
planta piso 1 |
planta R/C |
1. Secretaria
2. Direcção
planta piso 2
planta piso 1 |
planta R/C |
1. Balcão de Apoio
2. Reuniões
3. Pelouro da Comunicação
4. Pelouro da Encomenda
5. Pelouro da Cultura
6. Pelouro da Formação
planta piso 2
planta piso 1 |
planta R/C |
1. Apoio à Prática Profissional
2. Assessoria Jurídica
3. Contabilidade
4. Arrumos
As duas casas de António José Gomes Samagaio na Rua Álvares Cabral.
Metamorfoses de espaços de intimidade num espaço da cidade.
Maria do Carmo Marques Pires
Na rua Álvares Cabral, um espaço em vias de classificação patrimonial, duas edificações
com valor de habitação, dois microcosmos do habitar da burguesia portuense de finais
de Oitocentos, integram um conjunto arquitectónico e um espaço secular e emblemático da
cidade do Porto.
A abordagem de dois dos imóveis edificados num ambiente de transição de finais do
século XIX/XX, justifica-se por integrarem um espaço vivo da História da cidade e do
universo burguês, possuidor de uma estrutura física viva, uma imagem clara com
identidade e plena de significações. Ainda hoje, pode o mais comum dos cidadãos
participar neste lugar com carácter, materializando o tempo e as formas com valor
arquitectónico e prestígio criadas para o homem. Inicialmente com uma vocação
residencial, actualmente muitos desses espaços adaptam-se orgulhosa e espontaneamente
a outras funções, numa resposta às novas exigências da cidade. Um espaço do nosso e de
outros tempos, uma rua movimentada, um conjunto formal que espelha várias formas de
habitar num raro ambiente do qual ainda se pode fazer uma atenta leitura e em que se
sente um espaço primeiro a imbricar-se com o tempo e lugar presentes - uma estrutura
física, uma imagem forte.
No lado ocidental do Campo de Stº Ovídio (actual praça da República), existiu uma
quinta foreira ao Priorado e Colegiada de Cedofeita, a quinta de Stº Ovídio também
conhecida como da Boavista, dos Figueiroas, dos Pamplonas ou dos Condes de Resende.
A antiga casa apalaçada integrava-se num esquema - tipo da arquitectura sóbria e de
acentuadas linhas horizontais edificada num antigo espaço pericentral da urbe
Setecentista. Esta quinta de recreio e rendimento foi sacrificada à necessidade de
transformar e fazer cidade, de rasgar espaços que permitissem uma melhor circulação e
habitação em zonas mais arejadas. Assim, um único e amplo espaço aristocrático
adaptado aos códigos sociais e vivenciais dos séculos XVIII/XIX, fraccionou-se e foi
ocupado pela burguesia, um reflexo da mudança da conjuntura política, social,
económica e cultural da cidade e do país de então. O espaço rural embrionário
permaneceu e a sua leitura pode ainda ser feita a partir de indícios vários, os
limites da quinta de meados de Setecentos (sacrificada à abertura da rua da Boavista e
à ampliação do Campo de Stº Ovídio), são os limites actuais da rua e o seu traçado
correspondeu ao anterior acesso principal ao jardim e à circulação no seu interior.
Quando o Conde de Resende, proprietário da quinta, iniciou a sua venda, entre
1897/1905, o terreno tinha sido dividido em 144 lotes de 6m de frente, (como se pode
observar na planta de 1895), para edificações urbanas numa época de especulação
fundiária. A venda dos lotes efectuar-se-ia a par da abertura da nova rua, de
iniciativa particular, e cuja empreitada foi entregue ao mestre de obras José Joaquim
Mendes. A necessidade da ligação do Campo da Regeneração à rua de Cedofeita e a
abertura deste traçado viário tinha sido já manifestada desde 1837, mas só em 30 de
Junho de 1898 a rua seria concluída.
A clientela que arrematou os lotes era constituída pela alta e média burguesia
portuense, classe superior (grandes proprietários, negociantes, capitalistas,
industriais, profissões liberais e alto funcionalismo público) e classe média
(pequenos proprietários, lavradores, pequeno e médio comércio estabelecido, pequenos
industriais, empregados e funcionários). Na sequência do crescimento populacional, da
industrialização, da renovação urbanística e do consequente adensamento habitacional
do centro antigo da cidade, a burguesia afastava-se e fixava-se em zonas mais arejadas,
criando novos espaços residenciais de forte distinção social, em residências sólidas
onde os ideais burgueses de privacidade, intimidade, segurança e estabilidade eram
assegurados e resguardadas do espaço público.
Este traçado de 14 metros de largura, definido preferencialmente por residências
unifamiliares e algumas oficinas de fachadas sóbrias, robustas que ritmam as frentes
de rua, integrou, a partir de finais dos anos vinte, imóveis de habitação plurifamiliar
de outras linguagens. Aqui encontram-se representados os construtores, os materiais e
as tendências mais representativas do Porto do século XIX e XX.
As duas casas de António José de Gomes Samagaio inserem-se no alçado sul da rua,
caracterizado por uma ocupação e escrita morfológica de fachadas diferente das dos
outros alçados, num conjunto tipológico mais diversificado e mais heterogéneo, em
lotes que se associaram e resultaram numa maior hierarquização e distinção do espaço
edificado.
Gerente da fábrica de Fiação do Jacinto e proprietário, vindo de uma rua próxima, rua
da Torrinha, António José Gomes Samagaio arrematou os lotes 51, 52 e 53, com a largura
de 6m cada, no dia 30 de Novembro de 1898. Adquiria o direito a uma pena de água da
Mina da Fonte e mandava edificar duas habitações de um andar geminadas por logradouro
comum, em 6 de Abril de 1899, tendo a direcção de obra pertencido ao mestre de obras
Manoel Alves Ferreira. Outros projectos requeridos por este proprietário ou pelo genro,
obras de maior ou menor envergadura, também da responsabilidade de mestres de obras,
modificariam aquelas que são as actuais edificações, designadamente, para adicionar
andar na fachada posterior de uma das habitações (23 de Junho de 1909), para adicionar
casota (3 de Outubro de 1910), para construção de águas-furtadas, novas cozinhas,
bow - windows nas fachadas laterais, garagem e portão único de ferro substituindo os
dois anteriores (25 de Abril de 1917) para construir chaminé (10 de Fevereiro de 1925).
A concepção e construção destes edifícios foram influenciados pelo cliente que visava
economizar e edificar construções sólidas e funcionais que projectassem uma imagem em
programas sóbrios, pragmáticos, cómodos - sistematizações de desenho. Habitações
unifamiliares tradicionais, com fachadas de 6m sobre a rua, com três acessos
independentes, formada por volume base paralelepipédico a que se associava um outro
mais pequeno, localizado no logradouro e destinado a conter a cozinha. Nos seus
dispositivos espaciais lêem-se a estrutura e dimensão familiares. No primeiro piso,
um espaço de sociabilidade voltado para a fachada principal, um escritório ou sala e,
separada, por antecâmara e escadas, do conjunto sala de jantar / cozinha, espaços de
intimidade familiar situados nas traseiras e longe dos olhares estranhos. No segundo
piso localizam-se os quartos e nas águas-furtadas as dependências dos empregados e as
arrecadações. Os vários projectos e alterações introduzidas, em 1917, respeitaram,
globalmente, os valores funcionais e a organização dos edifícios bem como a ocupação
do lote. Este último projecto constituiu um momento de transformação significativa dos
edifícios mas, mais marcante foi a alteração da organização do espaço exterior,
preterindo a anterior solução de logradouros voltados de costas, unindo-os num espaço
único e simétrico, no centro do qual foi construída uma garagem. Esta situação
implicou uma mudança de vivências e vizinhanças próximas - convívios forçados, numa
nova linguagem e dispositivos espaciais, numa relação mais aberta com o exterior.
Exteriormente, fachadas forradas de azulejos monócromos, com cornijas, platibandas e
sacadas de bom granito lavrado, grades das varandas de ferro forjado ou fundido
harmonizam-se com muitos outras edificações da rua e simbolizam o programa construtivo
standard da cidade.
[1. SEDE]
Rua Álvares Cabral, 144,
4050-040 Porto, Portugal
[2. ANTIGAS INSTALAÇÕES]
Rua da Restauração e Rua D. Hugo
Edificio na Rua da Restauração
Edificio na Rua D. Hugo
Projecto de Arquitectura
Maria Helena Rente
José Carlos Portugal
Tiago Falcão (Concurso e Anteprojecto)
Escultura no Pátio
Alberto Carneiro
Conservação do Espólio Arqueológico
Manuel Luís Real
Maria Isabel Pinto Osório
Concurso e Projectos
1990/1991
Construção
Junho de 1992/ Junho de 1993
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