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Arménio Losa por Luís Ferreira Alves | exposição
19 Dezembro a 31 Janeiro | Exposição de fotografia



19 Dezembro a 31 de Janeiro
Galeria Municipal da C. M. Matosinhos
PROLONGAMENTO DA EXPOSIÇÃO ATÉ 31 DE JANEIRO

'Arménio Losa, o cidadão.'

Vivíamos em grupo as nossas descobertas “modernistas”, no Porto dos anos 50 e dos anos 60, centrando nosso juvenil convívio em duas casas – a de Henrique Alves Costa e a de Arménio Losa. Aí pudemos conhecer extraordinários personagens e receber, na mais completa liberdade e sem sombra de paternalismo, cívicos testemunhos, conhecimento e sonho.

Do arquitecto guardo uma impressiva imagem de austera dignidade, sobriedade e eficácia. A sua figura parecia-nos distante e a alguns de nós talvez até intimidasse, coisa que o tempo e o conhecimento não só diluiu como inverteu: era afinal um humanista, acessível, simples no trato, embora rigoroso em tudo e em tudo impoluto.
O Arménio e a Ilse eram gente da cidade, na cidade e para a cidade. E guardo como muitos outros portuenses dos tempos difíceis, dos tempos do silêncio, a comovida imagem daquele casal sempre presente nas primeiras filas dos acontecimentos da urbe, qualquer que fosse a hora, a incomodidade e o risco.

Na nossa exaltação cultural destacávamos então os anos de colaboração com Cassiano Barbosa e os amados ícones que eram a Cooperativa da Boavista, o extraordinário Prédio da Carvalhosa (que conhecíamos por dentro pois aí vivia o Pedro Ramalho), o de Sá da Bandeira, o da Rua de Ceuta.

Sem dúvida que o nosso instinto nos não enganava e o tempo tem consolidado e comprovado quanto de avançado, inteligente e inovador, havia nesses edifícios. Isso não minimizo, e esse entusiasmo não arrefeceu, mas apetece-me aqui realçar uma conversa que vem à memória e que aconteceu há anos numa viagem para fotografar arquitectura na companhia desse incansável investigador que é o Manuel Mendes; perante o meu entusiasmo por essas obras do Atelier transmitiu-me ele, que então, como hoje, mergulhava em arquivos académicos e autárquicos, o seu espanto pela enormidade da presença de Arménio Losa nessa investigação.
Sinais de um longo percurso iniciado muito antes e terminado muito depois da brilhante parceria com Cassiano, testemunhos inequívocos de um trabalhador incansável, de um persistente arquitecto e urbanista, que cumpriu o seu tempo operando na cidade, mas a quem, sob outro tempo, esse que os cidadãos e os democratas guardam para os outros e para a “civitas”.

Felizmente algum desse tempo usufruí, pelo que é na condição de devedor que me associo a esta homenagem.

Luís Ferreira Alves Porto 23 de Setembro de 2008


Luís Ferreira Alves nasceu em Valadares, a 25 de Abril de 1938.
Seccionista activo do Cineclube do Porto onde colaborou na Secção de Textos e foi co-fundador da Secção de Formato Reduzido e Cinema Experimental. Com o impulso de Henrique Alves Costa participou na realização colectiva do Documentário Auto da Floripes. Em 1962 foi preso pela PIDE e julgado em Tribunal Plenário do Porto, tendo sido compulsivamente afastado do Banco Ferreira Alves & Pinto Leite, onde até então trabalhava junto a seu Pai, iniciando actividade comercial diversa. Em 1982, e face à sua actividade como fotógrafo amador (exposições na Coop. Àrvore), o Arqtº Pedro Ramalho, amigo da juventude, apresentou na ESBAP um diaporama da sua obra arquitectónica, com imagens que livremente colheu; foi o ponto de partida para a sua actividade como fotógrafo profissional. Publica regularmente imagens em revistas de arquitectura de todo o Mundo. Tem dezenas de obras (de arquitectura, institucionais e outras) publicadas dentro e fora de portas.










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