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17 de Outubro | Estação de S. Bento
Praça de Almeida Garrett



A Estação Central do Porto, pode-se considerar uma das obras mais emblemáticas do Arqto. José Marques da Silva (1869 – 1947). Tal facto deve-se a um conjunto de circunstâncias associadas ao momento e à escolha do local onde viria a ser implantada (1888), sobre a cerca e os edifícios do Convento de S. Bento da Avé Maria (1518-1894) junto à Praça de D. Pedro. Ainda aluno, mas atento ao aceso debate que decorria, apresenta o ante-projecto de uma estação ferroviária para o Porto, como trabalho final para o concurso destinado a concluir o curso da Escola Nacional de Belas Artes em Paris.

O sucesso dessa iniciativa não foi só académico, por ter obtido a mais alta distinção – Arquitecto Diplomado pelo Governo Francês – (1896), mas também porque, na sequência da exposição daquele estudo para o “monumental edifício” da Estação de S. Bento, nos Paços do Concelho da Cidade do Porto (1897), lhe veio a ser adjudicado o projecto definitivo (1899), três anos depois do 1º comboio chegar à cidade. .

Coube-lhe, logo no início da sua notável carreira, projectar um edifício público cuja tipologia era uma completa novidade no centro da urbe portuense, fazendo repercutir aí o efeito da revolução industrial. Esta alteração radical dos meios de transporte terrestres, o ferroviário, teve um impacto imenso no desenho das cidades, para além de um significativo aumento da actividade económica e da convergência de população rural aos aglomerados mais desenvolvidos, o que se traduziu numa rápida expansão das malhas urbanas. .

Conhecedor daquilo que se passava na Europa Central, designadamente em França, não quis permitir que o novo espaço de acolhimento da cidade se resumisse a uns “barracões” alinhados ao longo de uns cais, como algumas interpretações de índole economicista defendiam. Tratava-se de uma nova porta da cidade merecedora uma particular dignidade. .

Sempre baseado numa planta em “U” e numa fachada principal exposta a poente, abrindo sobre a actual Praça Almeida Garrett, Marques da Silva desenvolveu várias propostas no sentido de satisfazer os diversos pareceres e críticas a que projecto foi sucessivamente sujeito. .

Como resultado final, depara-se-nos uma grande massa edificada, em granito de S.Gens, cuja fachada principal sobranceira à praça é rasgada por vãos rematados em arco, sobressaindo nos topos, a formarem gaveto com as Ruas do Loureiro e da Madeira, corpos destacados em altura com coberturas em mansarda de onde se destacam relógios de grande dimensão. Um todo fazendo recordar a fachada lateral da Gare de Orsay. .

A transição entre a praça e a gare é feita através de um átrio de grandes dimensões, inaugurado em 1916, cujas paredes foram revestidas com azulejos da autoria de Jorge Colaço, produzidos na Fábrica de Sacavém. Ladeado por construções alinhadas pelos limites da fachada principal, o espaço dos cais é recoberto por uma estrutura de aço e vidro apoiada em pilares de ferro fundido, oferecendo uma grande luminosidade em contraste com a obscuridade no túnel de onde emergem as composições à chegada. Este efeito de surpresa, pretendido pelo arquitecto, repete-se quando é transposto o átrio e se entra em contacto imediato com o centro da cidade. .

Pelos edifícios delimitantes, a norte e a sul, distribuem-se as instalações de apoio ficando nos corpos mais baixos os espaços de armazéns, manutenção e instalações de pessoal. Nos mais altos, adossados ao corpo da fachada principal, situam-se nos pisos superiores os sectores administrativos e técnicos. Todo este conjunto distingue-se da fachada poente e do átrio pela sua grande austeridade e simplicidade do desenho, embora prevalecendo uma excelente qualidade construtiva.

N.J. Tasso de Sousa

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Folha de Sala Ciclo Obra Aberta - 17 de Outubro de 2009







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