OASRN



 

5 de Dezembro | Casa e jardins de Serralves (1925-1943 e 1932)
Casa e jardins de Serralves (1925-1943 e 1932)



"A casa e jardins de Serralves são uma das obras mais peculiares de Marques da Silva. A singularidade do conjunto resulta, em grande parte, do papel determinante que o dono de obra, o industrial têxtil Carlos Alberto Cabral, desempenhou ao longo dos cerca de 20 anos em que se desenvolveram as muitas fases, avanços e recuos do projecto e da obra.

Carlos Alberto Cabral era fascinado pela cultura francesa, tinha uma casa em Biarritz e frequentava regularmente Paris e as suas lojas de decoração. Essa conexão parisiense fez com que o trabalho de Marques da Silva tenha, em grande parte, sido um trabalho de conciliação e coordenação das várias contribuições francesas.
Em primeiro lugar apareceu Jacques Émile Ruhlmann, decorador que propôs a reconfiguração de toda a cenografia dos espaços de representação da casa.
Com o crescimento sucessivo do projecto apareceu Charles Siclis que, em contribuições esporádicas, caracterizou o invólucro exterior da casa.
O terceiro arquitecto francês a contribuir para o conjunto foi Jacques Gréber que, em 1932, consolidou o desenho do jardim, integrando uma série de linhas directrizes propostas por Marques da Silva, espaços existentes (o lago) e novas unidades formais do jardim.
Ruhlmann morreu em 1933 e o seu sobrinho Alfred Porteneuve ocupou o seu lugar no projecto.
Marques da Silva, que esboçou as características base do projecto e foi detalhando aspectos decisivos da construção ao longo dos anos, não só resistiu a todas essas interferências como lhes deu uma coerência particular, expressa na solidez e qualidade do conjunto.

Se a história da construção da Casa e Jardins de Serralves é um emaranhado complexo, o resultado construído esconde essa complexidade sob uma aparente serenidade. A casa tem a aparência exterior de uma obra moderna. Essa modernidade, de cultura francesa, correspondia ao gosto de uma sociedade conservadora – de fortuna recente conquistada na indústria – que se procurava filiar numa eventual herança de tradição aristocrática.

As ambiguidades de Serralves estão muito longe do pragmatismo operativo das beaux-arts que caracteriza as primeiras obras de Marques da Silva.
Em Serralves redescobrem-se várias preocupações que motivaram as gerações de arquitectos que, formados na Escola de Belas Artes do Porto sob a batuta de Marques da Silva, transformaram a paisagem da cidade e da arquitectura portuguesa no século XX.
Serralves ocupa essa posição peculiar na obra do arquitecto, assinalando uma passagem de testemunho geracional, passagem que se fez através da capacidade de negociação com o cliente e, sobretudo, com uma agilidade astuciosa na gestão de múltiplos contributos para uma única obra."
André Tavares


André Tavares (Porto, 1976).
Arquitecto pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (2000). Docente convidado na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho.
Autor dos livros 'Arquitectura Antituberculose' (Faup publicações, 2005), 'Os fantasmas de Serralves' (Dafne, 2007) e 'Novela Bufa do Ufanismo em Concreto' (Dafne, 2009).

estudo para a alteração do sistema de escadas da casa de Serralves
(Lápis sobre vegetal, 64,0x34,0cm, escala 1:100)
Marques da Silva, 1934-1935






Novo Mapa!
Mapa Agostinho Ricca


Mapas de Arquitectura

co-edições OASRN

em trânsito
Ciclo de conferências

Pelouro da Cultura

Arquivo
Eventos realizados
Edições
Co-organizações
Apoios Institucionais


Vídeos online
Discursos (Re)visitados - Ciclo de Vídeo







Contactos:
Secção Regional Norte
Rua Álvares Cabral, 144
4050-040 PORTO
TEL. 222 074 251
cultura@oasrn.org