Nós portugueses temos a sorte de, nos sítios mais longínquos da nossa base europeia, podermos aceder a guias particulares; muitas vezes é a língua, outras vezes, como é caso de Macau, é a arquitectura; e em particular a arquitectura de Manuel Vicente.
Visitar Macau através da obra de Manuel Vicente é uma aventura e uma história singular da arquitectura contemporânea, em qualquer latitude. A obra de Manuel Vicente não é muito amada pelos arquitectos; mas há muitas formas de gostar de arquitectura e só numa delas se faz pesar o rigor formal, a composição clara, o gesto preciso. Na arquitectura de Manuel Vicente pesa o rigor conceptual, a composição saturada, a tentativa precisa.
Muitas vezes diz-se que alguém escreve como fala. Manuel Vicente projectava como falava. Por isso ouvi-lo era ouvir o projecto. Com o seu desaparecimento ficamos apenas com a voz que permanece nos desenhos. Mas é uma voz que perdurará.