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CASTELO RODRIGO NAS VISITAS GUIADAS DO ANO NACIONAL DA ARQUITECTURA RITA LOPES
04.ABR.03 |
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Recuperação do monumento é a única intervenção do distrito da Guarda escolhida pela Ordem dos Arquitectos para a iniciativa "Obra Aberta"
A FORTALEZA de Castelo Rodrigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, foi a edificação arquitectónica do distrito da Guarda escolhida pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN) para integrar o programa Obra Aberta. Uma iniciativa inSerida na programação do Ano Nacional da Arquitectura´03 que prevê um ciclo de visitas giuadas a 20 exemplos de intervenção arquitectónica espalhados por todos os distritos da região Norte do país. O objectivo é dar a conhecer, em forma de visita guiada por um arquitecto, a um grupo de pessoas não especializadas em arquitectura um conjunto de edifícios ou territórios urbanizados normalmente mais escondidos do olhar do público. A escolha das obras, ecléctica, hão privilegia um olhar disciplinar sislematizado, apela antes à exploração de lugares habitualmente inacessíveis e espaços privados.
No caso da fortaleza de Castelo Rodrigo, tratou-se, segundo André Tavares, comissário do programa Obra Aberta, de escolher uma intervenção arquitectónica «sugestiva e activa» num espaço de «reconhecimento disciplinar no nosso campo da arquitectura». A opção poderia ter recaído sobre outro edifício qualquer do distrito da Guarda, mas a preferência deve-se ao facto de ser uma intervenção «suficientemente interessante para publicar e debater», explica Tavares. Além disso, insere-se no programa de uma instituição pública (IPPAR), permitindo «alguma» diversidade de eventos e intervenções, sendo ainda um exemplo já publicado e reconhecido entre os arquitectos, o que « nos dá alguma segurança do seu interesse», continua o comissário. Assim, no próximo dia 14 de junho, os arquitectos João Paulo Rapagão e César Fernandes conduzirão uma visita àquele castelo, recentemente intervencionado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) a partir de um projecto da autoria daqueles dois arquitectos. A visita é aberta a todos os interessados que se inscrevam previamente na OASRN.
O local de encontro é no próprio castelo, seguindo-se uma apresentação dos arquitectos, autores do projecto em causa, e um debate sobre a obra e os vários pormenores, geralmente inacessíveis e despercebidos pela maioria das pessoas. «O que nos interessa é que o público oiça os arquitectos falarem do que fazem e se encontre um espaço de conversa e debate», realça André Tavares. A programação do Ano Nacional da Arquitectura´03 assim foi pensada, promovendo uma profissão que «é um direito público, muitas vezes incompreendido pelas pessoas», lamenta o comissário e arquitecto. Assim, o Obra Aberta propõe-se elucidar os cidadãos sobre o trabalho destes profissionais, mostrando-lhes 20 exemplos do que «somos capazes de fazer» e do que se faz em Portugal, continua Tavares, para quem a principal dificuldade da profissão é as pessoas saberem e reconhecerem «o nosso trabalho».
A receita repete-se para outras obras reconhecidas e publicamente debatidas na disciplina do arquitecto, visitadas e discutidas até ao dia 4 de Outubro. Construções organizadas segundo núcleos temáticos que dizem respeito quer às características, quer aos fins a que se destinam: património (onde se insere a alcáçova de Castelo Rodrigo), educação, trabalho, turismo e lazer, cultura, habitação, cidade e território. As visitas não são, por isso restritas apenas a edifícios, mostrando que a intervenção arquitectónica se estenda a realidades tão diversas como uma barragem, um porto, um estádio de futebol ou um núcleo urbano, o que sucederá, por exemplo, em Montemor-o-Velho (12 Julho) ou Viseu (13 Setembro), onde as visitas serão passeios pelas cidades. Durante este mês, o Obra Aberta restringe-se à cidade do Porto, alargando-se nos seguintes a todo o território abrangido pela OASRN, passando, entre outras, por Miranda do Douro (Barragem do Picote), Ovar (Casa Avelino Duarte), Vila Real (conjunto de várias habitações), Matosinhos (porto de Leixões), Braga (Estádio 1º de Maio), Ílhavo (Museu Marítimo), Vila do Conde (LNIV) e Aveiro (Universidade).
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in jornal O Interior
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