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VISITA À HABITAÇÃO PÓS-25 DE ABRIL NO PORTO PAULA SIMÕES
26.ABR.03 |
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Iniciativa da Ordem dos Arquitectos
Decorreu ontem mais uma visita do ciclo "Obra Aberta", no Porto, que a Ordem dos Arquitectos está a promover no âmbito do Ano Nacional da Arquitectura. O percurso englobou a deslocação aos bairros de S, Vitor, das Antas, do Leal, da lapa e da Bouça, que surgiram a partir de intervenções do Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL). "um programa de autopromoção da habitação após o25de Abril", afirmou José António Bandeirinha, arquitecto convidado para conduzir a visita.
O objectivo do ciclo, que arrancou no dia 29 de Março, é "colocar um público, não especialista em arquitectura, em contacto com o discurso e formas de pensar dos arquitectos", afirmou André Tavares, responsável pela organização do evento, sublinhando que "as questões da transformação do território são da responsabilidade dos arquitectos, mas também do resto da sociedade".
As visitas são realizadas aos sábados, mas, "aproveitando a ocasião do 25de Abril", segundo André Tavares, o evento realizou-se a uma sexta-feira. E o tema prestava-se à mudança diária, já que o SAAL foi lançado no I Governo Provisório, cujo Secretário de Estado da Habitação era o arquitecto Nuno Portas.
Segundo António Bandeirinha, as Brigadas Técnicas do SAAL [constituídas por conhecidos nomes da arquitectura, como Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, José Bernardo Távora, entre outros] tinham como função "identificar as carências habitacionais" dos bairros e intervir aconselhando as associações de moradores que recorriam ao programa. O objectivo era a recuperação das "ilhas de habitação com condições deploráveis", não através da mera "entrega de uma chave às pessoas, mas sim pela melhoria gradual das suas habitações" numa "autoconstrução assistida". No âmbito do SAAL, foram realizados inúmeros projectos, sempre numa relação activa com os moradores. Do resto, uma das condições do programa era a "consciência do próprio bairro em mudar as suas habitações ", para além da reabilitação ter de ser realizada no próprio local, "para evitar situações de especulação fundiária ", disse António Bandeirinha, sublinhando que "os novos bairros tinham de nascer: no próprio local".
O SAAL, enquanto serviço público nacional, acabou em 1976, ficando muito aquém das intervenções que estavam previstas. No caso do Porto, nos "milhares de fogos" a serem equacionados, apenas algumas dezenas receberam intervenção. Segundo o arquitecto, após o 25 de Novembro, "os poderes instituídos não viam com bons olhos" aquele programa, por "permitir demasiada autonomia" às pessoas. Não obstante, as acções deste projecto foram "reconhecidos e muito valorizados pela crítica de arquitectura europeia". Domingos Tavares, na intervenção que fez no Bairro de S. Vitor, referiu, a título de exemplo, que "os arquitectos, entusiasmados com a solução do SAAL, no Porto, utilizaram estes princípios na Alemanha".
A iniciativa "Obra Aberta" irá prolongar-se até Outubro e até agora tem recebido "um público muito heterógeneo ", segundo André Tavares, quer ao nível das áreas professionais, quer ao nível das idades.
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in jornal Público
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