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RUA DO AMEAL, 942 | PORTO PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS
19 Agosto 2002 |
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Nesta morada há uma casa modernista que é (que foi) muito bonita.
Foi projectada pelo Arq.º Celestino de Castro talvez nos princÃpios dos anos 50.
Descobri-a quando ainda andava a estudar na chamada “Escola do Porto”, no fim dos anos 80.
Nessa altura era ainda uma casa e era muito parecida com as que apareciam no livro do Le Corbusier “Por uma Arquitectura” - que foi o primeiro que li, em vez do compulsivo e inefável “Saber Ver a Arquitectura”.
Depois, há alguns anos, esta casa deixou de ser uma casa e passou a ser uma escola de condução.
Desapareceu primeiro o enorme pinheiro que tinha em frente.
Mais tarde o jardim a toda a volta foi substituÃdo por lagetas de betão a imitar calçada.
Deixaram também de se ver os bocadinhos cor de laranja que forravam o seu interior para lá das janelas.
Ontem, reparei que tinham substituÃdo a sua bela caixilharia de madeira por uma caixilharia de alumÃnio lacada a “bordeaux”. Esta caixilharia liga com o novo portão de garagem lacado à mesma cor e com as grades metálicas que forram o rés-do-chão. Tudo “bordeaux”.
O granito que aparecia em algumas das empenas foi também pintado e um dos “brise-soleil” suporta agora um ar condicionado.
Também no Porto, noutra morada, existe a sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos.
Esta secção é a mesma que organizou os encontros “Do.Co.Mo.Mo”, para promoção e defesa da Arquitectura Modernista, e a mesma que que patrocinou a edição recente do catálogo “Porto 1901/2001, Guia de Arquitectura Moderna”. É também a mesma que participa, de há alguns anos para cá, na Comissão de Defesa do Património da Câmara Municipal do Porto.
O “Do.Co.Mo.Mo” e o catálogo de nada serviram à desastrosa transformação da casa da Rua do Amial mas podem, a prazo, ajudar. Faz, por isso, algum sentido que a Ordem dos Arquitectos aà estivesse presente.
A Comissão de Defesa do Património da Câmara Municipal do Porto, que existe há mais de 10 anos, não classificou ainda, ao que julgo saber um único edifÃcio na Cidade. Produz regularmente pareceres, que não são vinculativos nem eram assinados, sobre projectos de licenciamento da autoria de Arquitectos. Objecções a estes pareceres deverão ser feitos por via postal já que a Comissão se recusa a receber pessoalmente qualquer Arquitecto.
Esta Comissão não serviu para ajudar esta casa nem serve, obviamente, para nada. É uma vergonha grande que a Ordem dos Arquitectos a ela se associe. O antigo Presidente da SRN da O.A. justificava a participação nesta Comissão com a frase “achei que era melhor estar lá dentro do que ficar de fora”. Será curioso saber qual a justificação do actual Presidente.
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in Boletim Informação Arquitectos, nº 117; Outubro 2002
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