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SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
NATACHA PALMA

25.MAI.03
 

ARQUITECTURA – Habitação construída há quase 20 anos abriu as portas ao público – Visita no âmbito do Ano Nacional da Arquitectura

“Álvaro Siza Vieira encantou-me mais pela conversa do que pela obra", confessou Avelino Duarte, hoje o orgulhoso proprietário de uma casa, em plena Avenida da Régua, antiga estrada para o Furadouro, em Ovar, que ontem teve as portas abertas ao público para uma visita guiada pelo seu criador, no âmbito das comemorações do Ano Nacional da Arquitectura.
"Chegou o mestre", ouviu-se dizer. Álvaro Siza torneou a casa “como de costume, entrou pela porta do cavalo", ou seja, pelas traseiras, onde, logo ali, começou a notar "mudanças" na sua obra. "As janelas estavam pintadas de outra cor." Os donos da casa asseguraram que não. "Nada foi modificado", afirmou Avelino Duarte, advogado aposentado, que fez daquela a sua casa há cerca de duas dezenas de anos.
"Curiosamente, Siza Vieira quis manter a casa na cor ocre. Só mais tarde, quando me apercebi que, dado Ovar ser terra de lavradores, que logo diriam que eu não tinha tido dinheiro para pintar a casa, é que nos decidimos pelo branco, hoje a cor tradicional. do arquitecto", contou Avelino Duarte.
"Na altura em que a casa foi construída, não havia outras na zona. Estavam todas dispersas e, por isso, não havia referências, como acontece num centro histórico, por exemplo. Tive de procurar outras referências, neste caso, nórdicas. É uma casa que foi construída para estar isolada e que assim continuasse quando surgissem vizinhos", explicou Siza Vieira.
É um bloco sólido, de três pisos, onde predomina o mármore, com muitos refúgios. "É uma casa maravilhosa", rematou Avelino Duarte.

Álvaro Siza Vieira
Arquitecto

"Existe aqui uma grande duplicidade. Os quartos inspiram privacidade, mas, ao mesmo tempo, existem ligações entre eles, o que dá à casa a ilusão de uma maior dimensão.

Avelino Duarte
Advogado

“A casa foi visitada por arquitectos de todo o Mundo, desde a América ao Japão. Aliás, a arquitecta basca, Anatxu Zabalbeascoa. integrou-a na sua obra «As casas do século».”


in JN

 
 


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