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CONCURSOS COM A ORDEM? NÃO, OBRIGADO! IVO OLIVEIRA, PEDRO CASTELO
Julho 2002 |
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Todos sabem a suspeita que se levanta quando, sem justificação plausível, um concurso é adiado nas vésperas da entrega.
Sem querermos levantar suspeitas desagradáveis e, por ventura, infundadas, o concurso que actualmente está a decorrer para a Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico de Beja, tem vindo a ser motivo de fortes desajustes, sempre recorrentes em concursos de projecto e que nos deixam profundamente descrentes na capacidade de a Ordem dos Arquitectos funcionar como nosso representante credível. A saber:
1. a acta da Iª reunião do júri foi divulgada assinada, identificou-se assim o presidente do júri que só se deveria identificar na sessão pública de abertura das propostas;
2. a uma pergunta provocatória, elegante e inteligentemente formulada (e não fomos nós quem maquiavelicamente a pensou) o júri responde com um Não evasivo (tão frequente nas lacónicas respostas a pedidos de esclarecimento) que deixou em aberto uma hipótese: É correcto depreender que os trabalhos anunciados, expostos ou conhecidos publicamente, antes da deliberação final, ficarão excluídos? ;
3. o programa tem erros, uma biblioteca passeia nas descrições dos espaços sem que faça parte do programa e sem constar nos quadros de áreas;
4. o terreno onde o edifício se devia implantar não era claramente definido no processo de concurso e, decorridos dois terços do primeiro prazo para entrega das propostas, a área disponível para implantação é subitamente reduzida quase a metade. E adia-se, pela primeira vez o prazo de entrega das propostas. Depois disto, a quinze dias da entrega das propostas adia-se novamente. Alguém anda a brincar com o nosso trabalho e com o aval e aplauso da Ordem dos Arquitectos que organiza o concurso.
Não queremos dar apenas este exemplo como também recordar um outro em que fomos desclassificados por ter manuscrito o rótulo do invólucro exterior. E a Ordem, representada e alertada, nada fez para que se respeitasse o nosso trabalho e investimento. Antes pelo contrário o seu representante assumiu fielmente o papel de guardador da lei, confundiu uma falta essencial com um erro acessório e lá fomos descontraidamente desclassificados.
Simultaneamente a Ordem desaconselha-nos a participar em concursos em que não se faça representar. Mas porquê? Porque aqueles em que ela está representada são melhor conduzidos? Para baixar a concorrência dos outros? Ou simplesmente porque...vá-se lá saber.
Para grande tristeza nossa há duas opiniões que começamos a formar:
1. Os concursos assessorados pela Ordem dos Arquitectos não dão mais garantias de idoneidade do que concursos organizados por outras entidades e que, mesmo desrespeitando a lei, são por vezes mais respeitadores e interessados no trabalho dos arquitectos.
2. A Ordem dos Arquitectos não age convenientemente para ver respeitados os direitos e o valor do trabalho dos arquitectos em concursos públicos, agindo muitas vezes para parecer que tudo está bem e apenas para valorizar o seu papel junto das entidades promotoras.
A Ordem recomenda-nos não levantar grandes questões, porque o mercado é agreste. E olhem, aguentem, para a próxima tenham mais cuidado. Com isto lá vão mais uns trabalhos para o lixo e, com eles, o respeito e a consideração que as entidades que nos encomendam trabalho manifestam ter.
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in Boletim Informação Arquitectos, nº 115; Agosto 2002
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