
|
097
DAQUI A POUCO, DEIXO A ARQUITECTURA! Rui Cação
29.JUL.05 |
|
Reflexão:
e alguns pensarão "olha, que porreiro, menos um!". é assim, a minha vontade, após 6 anos de trabalho e de bom profissionalismo e, posteriormente, alguns meses no desemprego. e claro, sem direitos e sem subsÃdio porque alguém se lembrou de chamar, a nós a
ssalariados, profissionais liberais - independentes - por conta e risco. e o risco é grande porque caÃmos na asneira de ser coniventes com o patronato - esse grande grupo de colegas nossos mais emancipados - e depois somos mal pagos e mal agradecidos.
as justificações, quando existem, é que não há trabalho e, por isso, não há dinheiro. mas, acabamos por ser trocados por carne fresca e inocente que - pasmem, senhores(as)! - para fazer um estágio, de admissão à ordem ou não, se sujeitam a trabalhar de borla. não podia ser melhor o cenário, para alguns, e decadente, para outros. com todo o respeito por algumas abordagens e temáticas que li, aqui no observatório, acho que era importante reflectir, mais uma vez, sobre a situação actual dos arquitectos assalariados, dos falsos recibos verdes por imposição, e a desmotivação que até se pode repercutir na qualidade daquilo que se produz. o dito 73/73, que alimenta a nossa vergonha, poderá, um dia distante, resolver alguns conflitos morais entre classes profissionais. poderá até, fazer com que alguns de nós se levantem devagarinho à custa de trabalho que deve ser feito por alguém de direito. mas não nos vai livrar de conflitos entre profissionais da mesma classe nem vai diluir a diferença que pode haver, ou não, entre aqueles que se formaram no público ou no privado nem vai impedir que outros, estrangeiros legais ou não, venham sobrecarregar um mercado cada vez mais lotado. é para isto que andávamos a estudar? quem se lembrou de dizer que era giro ir para este curso? Quem se lembrou de estipular que um arquitecto deve ganhar menos que uma empregada(o) de limpeza ou menos do que um homem da "arte", seja ela qual for? é uma pena que não sejamos mais unidos e corporativistas e é uma pena, também, que se tenha que ler - se é que alguém lê! - estas palavras "reaccionárias e ressabiadas", dirão alguns. mas não alinho em lobbies nem hei-de vestir avental. obrigado pelo desabafo, sem maiúsculas.
|
|
 |
 |
| |
|
|

|
Não existem textos relacionados.
|

|

|
Não existem textos relacionados.
|

|
|