OASRN

007

D’A LOUCURA DOS ARQUITECTOS
JOÃO CASTRO FERREIRA

ABRIL 2002
 

A propósito do Concurso Europan/Polis para jovens arquitectos escreve o nosso colega André Tavares sobre a ruína que significaria, na sua interpretação, a participação no mesmo.
Da análise dos cálculos que efectuou (teriam sido investidos 252 000 € para disputar encomendas no valor de 82 500 €) constatou-se que o motivo da ruína seria o elevado número de concorrentes. Aliás esta linha de pensamento apesar de nunca claramente explícita é confirmada pela observação “já está melhor” quando se refere à segunda fase, em que em virtude da restrição de participação a 12 equipas o rácio entre investimento total na elaboração das propostas e o valor das encomendas em causa aumenta significativamente.
Escrevo para manifestar a discordância com o comentário e análise que o colega André Tavares faz. Discordo porque, das muitas questões que o referido concurso me levanta, a forte e empenhada participação dos concorrentes é sem dúvida o aspecto mais positivo e qualificá-la de loucura parece-me, para além de improvável, inapropriado. É improvável que os 101 concorrentes – e concordo que a cada concorrente corresponderá em média 2 a 3 colegas – estejam loucos. Entendo inapropriado que a vontade e capacidade de participar no concurso, elaborando propostas e disputando encomendas, sejam classificadas de “loucura”.
Entendo ainda que a ruína de muitos arquitectos não advém nem advirá dessa sua vontade e capacidade de disputarem a encomenda mas sim da dificuldade de aceder ao mercado de trabalho por este se encontrar fechado à livre participação. Fechada a encomenda privada por sistemas de licenciamento casuísticos que transformam o licenciamento na fase chave da valorização do projecto, o que, associado à promiscuidade entre público e privado, transforma a soberania em coutada. Fechada a encomenda pública em que, a coberto da urgência e da suposta garantia de qualidade, o que se procura são nomes (algumas vezes conhecidos, outras de conhecidos) e não soluções.
Não simpatizo com o Concurso Polis/Europan por entender que os jovens não necessitam nem merecem concursos específicos e que estes concursos não pretendem mais do que disfarçar uma enormíssima quantidade de trabalho distribuída, mais uma vez, ao arrepio da legislação e dos princípios de um Estado de Direito.
Este arrepio e fechamento do mercado de trabalho é que tem levado à ruína, não tanto dos arquitectos mas seguramente da arquitectura e das nossas cidades, cuja falta de qualidade, estética, técnica e funcional, são, em meu entender, consequência directa do método de selecção, totalmente desadequado.
A capacidade e vontade de participar em concursos é um dos poucos sinais de esperança em que algo que deve mudar pode mudar.




 
 


99
 O 73/73 É UM ENGANO!
mar

98
 POR UM FUTURO MELHOR!
P.Cunha

93
 ASSINATURAS
Diogo Manuel Monteiro das Neves

88
 DEIXEM-ME VOTAR, POR FAVOR!
Pedro Marques de Figueiredo, Arquitecto.

100
 POR UM FUTURO MELHOR II
Rita Amaral

097
 DAQUI A POUCO, DEIXO A ARQUITECTURA!
Rui Cação

094
 SÓ PODE SER DESTA !!!!!
Francisco Rey

090
 PEDITÓRIO DE ASSINATURAS PARA QUÊ?
Jorge Garcia Pereira

086
 O RECURSO
Fernando Gabriel

085
 ARQUITECTO!!! OH, TRISTE PAIXÃO!!!
P. O.

084
 E O NOSSO FUTURO?
pc

079
 RAZÕES
J.R.

077
 DESABAFO!
RUI REGO e CARLOS MARQUES

071
 OS ARQUITECTOS TÊM DIREITOS?
ANTÓNIO JORGE BRAGA

070
 ARQUITECTOS DESVENDARAM SEGREDOS DO LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO VETERINÁRIA
ÂNGELO TEIXEIRA MARQUES

069
 ILHA DA RUA DAS ALDAS:
UMA FORTALEZA COM PEQUENAS JANELAS

INÊS NADAIS

067
 A PAIXÃO DOS ARQUITECTOS
ALEXANDRE PRAÇA
NELSON MARQUES

066
 “OBRA ABERTA” EM MATOSINHOS
EDUARDO COELHO

065
 O PALÁCIO COMO DOCUMENTO ABERTO
RITA LOPES

064
 VIAGEM PELA ARQUITECTURA DE UMA CIDADE DISFORME
CELESTE PEREIRA

063
 VILA REAL E RÉGUA “ABRIRAM-SE” AO OLHAR DOS ARQUITECTOS
CELESTE PEREIRA

062
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
SARA DIAS OLIVEIRA

061
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
NATACHA PALMA

060
 QUEM DISSE QUE UM PARQUE INDUSTRIAL TEM DE SER FEIO, MUITO SUJO E RUIDOSO?
ABEL COENTRÃO

059
 VISITA À “HABITAÇÃO PÓS-25 DE ABRIL “ NO PORTO
PAULA SIMÕES

058
 REVOLUÇÃO NÃO CHEGOU A TODOS OS BAIRROS E ILHAS
VIRGÍNIA ALVES

057
 O ALJUBE POR DENTRO
INÊS NADAIS

056
 CASTELO RODRIGO NAS VISITAS GUIADAS DO ANO NACIONAL DA ARQUITECTURA
RITA LOPES

055
 ORDEM DOS AROUITECTOS FAZ VISITAS GUIADAS
LUIS MIGUEL QUEIRÓS

054
 ORDEM DOS AROUITECTOS PROMOVE VISITAS GUIADAS
LUÍS MIGUEL QUEIRÓS

047
 O DIREITO DOS ARQUITECTOS E OS DIREITOS DOS OUTROS
SANTANA CASTILHO

045
 DISCUSSÃO COMPLETA DA DELIBERAÇÃO DA PETIÇÃO
DEBATE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

043
 PROJECTO DE DELIBERAÇÃO N.º 17/IX
COMISSÃO DE OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO

029
 ESTÁGIO DA (DES)ORDEM
PAULO MONTEIRO, Licenciado em Arquitectura

026
 BOA SEDE, MAU JUÍZO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

025
 DESTRUIR A OA PARA CONSTRUIR A SUA SEDE
JOÃO CASTRO FERREIRA

024
 PORTO COM PINTA
PEDRO SILVA

021
 ORDEM NAS TUTELAS
JORGE PINHEIRO RODRIGUES

020
 NÃO INVENTE E SEJA DO CONTINENTE
PEDRO BELO RAVARA

015
 O PAPEL DA ORDEM NOS CONCURSOS PÚBLICOS
ABAIXO ASSINADO

014
 RUA DO AMEAL, 942 | PORTO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

011
 CONCURSOS COM A ORDEM? NÃO, OBRIGADO!
IVO OLIVEIRA, PEDRO CASTELO

010
 VONTADE DE MUDANÇA
FRANCISCO SOUSA RIO

007
 D’A LOUCURA DOS ARQUITECTOS
JOÃO CASTRO FERREIRA

006
 A VERDADEIRA RUÍNA DA ARQUITECTURA
PEDRO BRANDÃO, Europan Portugal