OASRN

069

ILHA DA RUA DAS ALDAS:
UMA FORTALEZA COM PEQUENAS JANELAS

INÊS NADAIS

21.SET.03
 

Foi para explicar, por dentro e por fora, o processo de reconversão da antiga Ilha da Rua das Aldas num núcleo habitacional premiado nacional e internacionalmente que o arquitecto Pedro Mendes, autor do projecto, regressou ontem ao local da intervenção para orientar mais uma iniciativa do ciclo Obra Aberta.

O convite partiu da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos,. que agendou uma série de visitas guiadas a edifícios emblemáticos do Norte do país para mostrar alguns bons exemplos de intervenção em arquitectura. Depois de ter convidado o público a espreitar, à boleia do Ano Nacional da Arquitectura, a sede do Comando Metropolitano da PSP ou as instalações da Faculdade de Engenharia, o ciclo Obra Aberta regressou ontem ao centro histórico do Porto para fazer a retrospectiva de um projecto encomendado em 1992 pela Câmara Municipal do Porto, através do Comissariado para a Recuperação Urbana da Área da Ribeira / Barredo (CRUARB).

Mesmo antes de chegar ao gaveto da Rua das Aldas, Pedro Mendes fez questão de fazer a retrospectiva do seu primeiro projecto como arquitecto, explicitando várias das questões que se colocavam à partida: "Para começar, tratava-se de intervir numa zona ocupada há mais de mil anos, com uma grande carga histórica e uma enorme densidade demográfica e urbanística", sublinhou o autor do projecto. Precisamente devido à fortíssima memória do local, a ideia foi reconverter a ilha das Aldas sem fazer tábua rasa das práticas de vida em comunidade que lhe estavam associadas. Daí que a transformação de 11 casas "com áreas mínimas e condições de habitabilidade sub-humanas" - a não ser numa das fracções, não havia sanitários, electricidade, água corrente ou ligação à rede de saneamento - em cinco habitações "com todas as infra-estruturas necessárias e áreas que na altura pareciam luxuosas mas hoje já não parecem tão grandes" tenha sido também um processo de preservação.

Ficaram várias coisas: a ideia de uma rua interior comum, que Pedro Mendes transformou "num pátio alargado onde se mantém essa lógica de espaço público", os afloramentos rochosos na fachada da Rua Penaventosa, que fizeram daquele gaveto uma excepção à regra das habitações unifamiliares de vários pisos que vigora nos lotes do centro do Porto, e a imagem exterior de "fortaleza com pequenas janelas". Ficaram ainda "a pele de granito" - "Agora é moda, mas na altura a pedra à vista era pouco frequente nos centros históricos", esclareceu o arquitecto -, que o tempo se encarregará de ir esverdeando. "Não fizemos caleiras: a água sempre tinha caído para a rua e continua a cair. Na altura foi polémico. Mas agrada-me que estas pedras possam ganhar a pátine do tempo", frisou Pedro Mendes.

Ligação à Rua de S. Sebastião ainda por fazer

Já lá dentro, a comitiva pôde visitar uma das cinco habitações. Maria Alice Quintão fez as honras da casa. Só se queixa de uma coisa: "De já não ter idade para gozar a casa como deve ser". Pensando melhor, também não seria má ideia “ter uma torneirinha no pátio para regar as plantas" - e, já agora, menos janelas na parede da sala de estar, "porque assim como está não se pode lá pôr móvel nenhum". O marido, Rolando Gomes, sente sobretudo a falta de "mais saídas de televisão" e da manutenção do CRUARB, cuja "inércia" tem "agravado a deterioração", acusa, apontando para a humidade e para a janela empenada no quarto de casal.

Pedro Mendes concorda com algumas queixas: "A manutenção tem sido baixa ou inexistente. Os algerozes não têm sido limpos e é isso que está na origem das infiltrações. E estes estendais e alpendres que os moradores cravaram nas paredes vão trazer problemas construtivos". De um modo geral, porém, "foi uma boa revisita": "O projecto está bem ocupado, tirando uma ou duas adulterações desnecessárias - que, no fundo, até mostram que há um envolvimento das pessoas no espaço. Mesmo a dissonância entre o mobiliário escolhido pelas pessoas e o espírito do projecto revela alguma intensidade na ocupação". Só falta uma coisa, confessou ao PÚBLICO: que a câmara cumpra o projecto inicial de ligar o pátio superior à Rua de S. Sebastião, para que o "núcleo deixe de ser um beco sem saída e passe a ser um atravessamento urbano".




 
 


99
 O 73/73 É UM ENGANO!
mar

98
 POR UM FUTURO MELHOR!
P.Cunha

93
 ASSINATURAS
Diogo Manuel Monteiro das Neves

88
 DEIXEM-ME VOTAR, POR FAVOR!
Pedro Marques de Figueiredo, Arquitecto.

100
 POR UM FUTURO MELHOR II
Rita Amaral

097
 DAQUI A POUCO, DEIXO A ARQUITECTURA!
Rui Cação

094
 SÓ PODE SER DESTA !!!!!
Francisco Rey

090
 PEDITÓRIO DE ASSINATURAS PARA QUÊ?
Jorge Garcia Pereira

086
 O RECURSO
Fernando Gabriel

085
 ARQUITECTO!!! OH, TRISTE PAIXÃO!!!
P. O.

084
 E O NOSSO FUTURO?
pc

079
 RAZÕES
J.R.

077
 DESABAFO!
RUI REGO e CARLOS MARQUES

071
 OS ARQUITECTOS TÊM DIREITOS?
ANTÓNIO JORGE BRAGA

070
 ARQUITECTOS DESVENDARAM SEGREDOS DO LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO VETERINÁRIA
ÂNGELO TEIXEIRA MARQUES

069
 ILHA DA RUA DAS ALDAS:
UMA FORTALEZA COM PEQUENAS JANELAS

INÊS NADAIS

067
 A PAIXÃO DOS ARQUITECTOS
ALEXANDRE PRAÇA
NELSON MARQUES

066
 “OBRA ABERTA” EM MATOSINHOS
EDUARDO COELHO

065
 O PALÁCIO COMO DOCUMENTO ABERTO
RITA LOPES

064
 VIAGEM PELA ARQUITECTURA DE UMA CIDADE DISFORME
CELESTE PEREIRA

063
 VILA REAL E RÉGUA “ABRIRAM-SE” AO OLHAR DOS ARQUITECTOS
CELESTE PEREIRA

062
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
SARA DIAS OLIVEIRA

061
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
NATACHA PALMA

060
 QUEM DISSE QUE UM PARQUE INDUSTRIAL TEM DE SER FEIO, MUITO SUJO E RUIDOSO?
ABEL COENTRÃO

059
 VISITA À “HABITAÇÃO PÓS-25 DE ABRIL “ NO PORTO
PAULA SIMÕES

058
 REVOLUÇÃO NÃO CHEGOU A TODOS OS BAIRROS E ILHAS
VIRGÍNIA ALVES

057
 O ALJUBE POR DENTRO
INÊS NADAIS

056
 CASTELO RODRIGO NAS VISITAS GUIADAS DO ANO NACIONAL DA ARQUITECTURA
RITA LOPES

055
 ORDEM DOS AROUITECTOS FAZ VISITAS GUIADAS
LUIS MIGUEL QUEIRÓS

054
 ORDEM DOS AROUITECTOS PROMOVE VISITAS GUIADAS
LUÍS MIGUEL QUEIRÓS

047
 O DIREITO DOS ARQUITECTOS E OS DIREITOS DOS OUTROS
SANTANA CASTILHO

045
 DISCUSSÃO COMPLETA DA DELIBERAÇÃO DA PETIÇÃO
DEBATE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

043
 PROJECTO DE DELIBERAÇÃO N.º 17/IX
COMISSÃO DE OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO

029
 ESTÁGIO DA (DES)ORDEM
PAULO MONTEIRO, Licenciado em Arquitectura

026
 BOA SEDE, MAU JUÍZO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

025
 DESTRUIR A OA PARA CONSTRUIR A SUA SEDE
JOÃO CASTRO FERREIRA

024
 PORTO COM PINTA
PEDRO SILVA

021
 ORDEM NAS TUTELAS
JORGE PINHEIRO RODRIGUES

020
 NÃO INVENTE E SEJA DO CONTINENTE
PEDRO BELO RAVARA

015
 O PAPEL DA ORDEM NOS CONCURSOS PÚBLICOS
ABAIXO ASSINADO

014
 RUA DO AMEAL, 942 | PORTO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

011
 CONCURSOS COM A ORDEM? NÃO, OBRIGADO!
IVO OLIVEIRA, PEDRO CASTELO

010
 VONTADE DE MUDANÇA
FRANCISCO SOUSA RIO

007
 D’A LOUCURA DOS ARQUITECTOS
JOÃO CASTRO FERREIRA

006
 A VERDADEIRA RUÍNA DA ARQUITECTURA
PEDRO BRANDÃO, Europan Portugal