OASRN

020

NÃO INVENTE E SEJA DO CONTINENTE
PEDRO BELO RAVARA

22.JUL.2002
 

Na sequência da última Sala de Projecto, do Atelier Bugio, ficaram-me algumas reflexões em jeito de dúvidas airosas sobre aquilo que se afirma como a práctica e o seu exercício complementar, que é afinal o do pensamento. Será que já não há lugar para se falar, ou discutir, arquitectura, como que se a cerimónia do social sobre um BRUT Aliança se pudesse substituir à troca de ideias e palavras (não imagens) sobre aquilo que nos une e faz suar pelas nossas obras e dos outros. Será que a obra de arquitectura, aquela que é consumada desde o pedreiro ao ladrilhador, substitui a palavra e, mais importante, sobretudo a aspiração de quem a projecta e desenha?
Afinal, alguns de nós, comendo uma bucha rápida numa qualquer tasca em hora de fecho, como se pudesse acrescentar algum tempo ao que não lhe sobrava, chegámos para não ouvir palavras, mas apenas e só mais um anúncio de um concurso de tômbola, desta vez uma magra viagem à ilha da Madeira. Talvez a Ordem tenha encontrado uma vocação turística para o aspirante a arquitecto oferecendo receitas do Escabeche da Gata e a experiência sublimar da visita a duas obras no Funchal. O problema é que como qualquer sorteio, seja do simples aspirador da Hoover na Worten ao Cintroên AX no Feira Nova, até à viagem às obras do Bugio oferecidas pela Ordem dos Arquitectos à ilha da Madeira, fica-nos a certeza de que dos membros arquitectos que ali se deslocaram para ouvir falar e discutir sobre fazer arquitectura e destes últimos de entre os que ouviram a gravação que havia para ouvir e que teimava em ser ouvida por quem fizesse muito por isso e destes, aqueles que preencheram o nome num papel para o enfiar de seguida na urna da sorte, destes só um entre todos será contemplado com a honra minimal de uma passagem aérea para a Madeira insular onde se poderá visitar e sentir, aí sim, a obra dos amigos arquitectos do Bugio. Afinal não vale a pena conferenciar sobre a obra enquanto objecto do intelecto, quando se oferece de forma extensiva e generosa a obra enquanto coisa física, positiva, ali ao alcance da mão e da vista, porque já diria o dísciplo, só acredito quando puder vêr, mesmo que seja ao tal do felizardo que ofere da contemplação de piedade daqueles que constroem a arquitectura de vanguarda, porque esta só se constrói!
Vai-se à Ordem beber um copo por ocasião de uma coisa qualquer que já não é aquilo que pensávamos ser, mas apenas e tão só um novo estilo de marketing de uma arquitectura para todos. Uma arquitectura sem aspirações e sem aspiradores mas com elevações e elevadores, sem palavras e frases mas com receitas de afirmação, e sobretudo uma arquitectura que não invente e seja do continente.




 
 


99
 O 73/73 É UM ENGANO!
mar

98
 POR UM FUTURO MELHOR!
P.Cunha

93
 ASSINATURAS
Diogo Manuel Monteiro das Neves

88
 DEIXEM-ME VOTAR, POR FAVOR!
Pedro Marques de Figueiredo, Arquitecto.

100
 POR UM FUTURO MELHOR II
Rita Amaral

097
 DAQUI A POUCO, DEIXO A ARQUITECTURA!
Rui Cação

094
 SÓ PODE SER DESTA !!!!!
Francisco Rey

090
 PEDITÓRIO DE ASSINATURAS PARA QUÊ?
Jorge Garcia Pereira

086
 O RECURSO
Fernando Gabriel

085
 ARQUITECTO!!! OH, TRISTE PAIXÃO!!!
P. O.

084
 E O NOSSO FUTURO?
pc

079
 RAZÕES
J.R.

077
 DESABAFO!
RUI REGO e CARLOS MARQUES

071
 OS ARQUITECTOS TÊM DIREITOS?
ANTÓNIO JORGE BRAGA

070
 ARQUITECTOS DESVENDARAM SEGREDOS DO LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO VETERINÁRIA
ÂNGELO TEIXEIRA MARQUES

069
 ILHA DA RUA DAS ALDAS:
UMA FORTALEZA COM PEQUENAS JANELAS

INÊS NADAIS

067
 A PAIXÃO DOS ARQUITECTOS
ALEXANDRE PRAÇA
NELSON MARQUES

066
 “OBRA ABERTA” EM MATOSINHOS
EDUARDO COELHO

065
 O PALÁCIO COMO DOCUMENTO ABERTO
RITA LOPES

064
 VIAGEM PELA ARQUITECTURA DE UMA CIDADE DISFORME
CELESTE PEREIRA

063
 VILA REAL E RÉGUA “ABRIRAM-SE” AO OLHAR DOS ARQUITECTOS
CELESTE PEREIRA

062
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
SARA DIAS OLIVEIRA

061
 SIZA VIEIRA REGRESSA À CASA AVELINO DUARTE
NATACHA PALMA

060
 QUEM DISSE QUE UM PARQUE INDUSTRIAL TEM DE SER FEIO, MUITO SUJO E RUIDOSO?
ABEL COENTRÃO

059
 VISITA À “HABITAÇÃO PÓS-25 DE ABRIL “ NO PORTO
PAULA SIMÕES

058
 REVOLUÇÃO NÃO CHEGOU A TODOS OS BAIRROS E ILHAS
VIRGÍNIA ALVES

057
 O ALJUBE POR DENTRO
INÊS NADAIS

056
 CASTELO RODRIGO NAS VISITAS GUIADAS DO ANO NACIONAL DA ARQUITECTURA
RITA LOPES

055
 ORDEM DOS AROUITECTOS FAZ VISITAS GUIADAS
LUIS MIGUEL QUEIRÓS

054
 ORDEM DOS AROUITECTOS PROMOVE VISITAS GUIADAS
LUÍS MIGUEL QUEIRÓS

047
 O DIREITO DOS ARQUITECTOS E OS DIREITOS DOS OUTROS
SANTANA CASTILHO

045
 DISCUSSÃO COMPLETA DA DELIBERAÇÃO DA PETIÇÃO
DEBATE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

043
 PROJECTO DE DELIBERAÇÃO N.º 17/IX
COMISSÃO DE OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO

029
 ESTÁGIO DA (DES)ORDEM
PAULO MONTEIRO, Licenciado em Arquitectura

026
 BOA SEDE, MAU JUÍZO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

025
 DESTRUIR A OA PARA CONSTRUIR A SUA SEDE
JOÃO CASTRO FERREIRA

024
 PORTO COM PINTA
PEDRO SILVA

021
 ORDEM NAS TUTELAS
JORGE PINHEIRO RODRIGUES

020
 NÃO INVENTE E SEJA DO CONTINENTE
PEDRO BELO RAVARA

015
 O PAPEL DA ORDEM NOS CONCURSOS PÚBLICOS
ABAIXO ASSINADO

014
 RUA DO AMEAL, 942 | PORTO
PEDRO ABRANCHES VASCONCELOS

011
 CONCURSOS COM A ORDEM? NÃO, OBRIGADO!
IVO OLIVEIRA, PEDRO CASTELO

010
 VONTADE DE MUDANÇA
FRANCISCO SOUSA RIO

007
 D’A LOUCURA DOS ARQUITECTOS
JOÃO CASTRO FERREIRA

006
 A VERDADEIRA RUÍNA DA ARQUITECTURA
PEDRO BRANDÃO, Europan Portugal